NOTÍCIAS


Na Bovespa, valor da Cosan sobe 4,5 vezes para R$13 bi

O empresário Rubens Ometto, multiplicou o valor da Cosan em 4,5 vezes, desde que levou seu negócio à Bovespa, em novembro de 2005. A empresa estreou no mercado paulista valendo R$ 2,9 bilhões. Foi a primeira do setor a se apresentar aos investidores.

Valor Econômico

 

Quatro anos e meio depois, o negócio foi avaliado em R$ 13 bilhões na transação que combinará os ativos de etanol e distribuição de combustíveis da companhia com a multinacional Shell.

 

O valor de mercado na Bovespa está em R$ 9,5 bilhões, mas os analistas acreditam que uma vez formalizada a associação com a gigante internacional, o preço implícito na transação será referência.

 

A Cosan vive atualmente uma boa fase com os investidores. "Quem tem sócio, tem patrão", afirmou Ometto na coletiva sobre o anúncio da operação.

Mas não foi sempre assim. Além de carregar o peso de um setor marcado por administrações distantes do profissionalismo que o mercado preza, a imagem da companhia foi abalada em 2007, quando Ometto decidiu criar uma holding nas Bermudas para controlar a Cosan do Novo Mercado.

 

Ometto levou a Cosan Limited, como passou a chamar a controladora, para a bolsa de Nova York e, já sonhando com uma grande expansão, utilizou-se de um mecanismo inexistente no Brasil: o voto plural, usado na estrutura societária do Google, por exemplo. As ações detidas exclusivamente por ele valeriam 10 votos, contra um voto dos papéis que seriam oferecidos ao mercado. Com isso, poderia controlar a empresa mesmo emitindo ações e diluindo sua fatia a 9,1% do capital.

 

A operação gerou muita polêmica, a primeira crise potencial de imagem do Novo Mercado e interferências indiretas da Bovespa e da CVM na transação.

Dois anos depois, o episódio foi superado, mas não esquecido. O valor atual da companhia em bolsa, segundo analistas ouvidos pelo Valor, não embute nenhum desconto por questões de governança. Porém, ainda existem temores de que o desejo de concentração de poderes reapareça na forma de uma operação negativa para os minoritários.

 

As grandes promessas para o mercado de etanol global e a existência da Cosan Limited, que oferece uma flexibilidade muito maior para a diluição de Ometto, não deixam de ser um risco.

 

A perspectiva da união com a Shell foi bem recebida inclusive do ponto de vista da governança. Acredita-se que a multinacional fará exigências para dividir o poder na gestão das atividades, bem como mecanismos de controles internos que ofereçam segurança.

 

As captações já realizadas pela Cosan - seja no Novo Mercado, seja em Nova York - foram investidas em expansão. Ao todo, o grupo levantou perto de R$ 3 bilhões, incluindo recursos obtidos com a Gávea Investimentos. E o negócio mudou de cara ao longo do tempo com esses investimentos. Quando chegou à bolsa, em 2005, a Cosan produzia 2,3 milhões de toneladas de açúcar e 825 milhões de litros de álcool. Para isso, processava 27 milhões de toneladas de cana.

 

Ao fim de 2009, R$ 7,4 bilhões de investimentos depois - sendo R$ 1,9 bilhão em aquisições - a Cosan tinha capacidade de processar 60 milhões de toneladas de cana, produzindo 4 milhões de toneladas de açúcar e 2 bilhões de litros de álcool. Sem contar que pode distribuir 5,5 bilhões de litros de combustíveis por ano, depois que comprou os ativos da Exxon Mobil e entrou para valer no mercado de distribuição - ramo que não atuava na época da estreia na bolsa.

 

O crescimento do negócio e a maior exposição internacional após o negócio com a Shell poderiam fazer a participação da Cosan no Índice Bovespa crescer. Hoje, representa só 0,64% da carteira teórica, embora seja a maior mundo em seu negócio.

 

Esse avanço, contudo, esbarra na Cosan Limited, que "rouba" negócios da empresa listada no Novo Mercado. Por dia, as ações da Bovespa e da Nyse movimentaram juntas uma média de US$ 47 milhões em janeiro - 80% mais do que os US$ 26 milhões de média do último trimestre de 2009. Só que do volume diário, 42% são com os papéis da holding.

 

Pelas cotações atual, a Cosan está avaliada na média do setor em cerca de 8,2 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) de 2009. Considerando o preço do negócio com a Shell, foi avaliada com prêmio significativo sobre suas pares na bolsa (São Martinho e Açúcar Guarani). O múltiplo subiria para 11,5 vezes, segundo o Valor Data.

 

Em: 8/2/2010



:: MAIS RECENTES

  • [20/8/2010] Empresas devem continuar a questionar o ponto eletrônico
  • [20/8/2010] Um pré-sal de dúvidas é o que afunda Petrobras
  • [20/8/2010] Preço do barril não terá arbitragem
  • [20/8/2010] Produção da Petrobras
  • [20/8/2010] China vai investir até US$ 15 bi em carro verde
  • [20/8/2010] A fila anda
  • [19/8/2010] GM pode voltar a produzir caminhão no país
  • [19/8/2010] Governo adia novo ponto eletrônico
  • [19/8/2010] Argentina acusa Petrobrás de manipular preço
  • [19/8/2010] Consultoria da ANP avalia preço do barril do pré-sal entre US$ 10 e US$ 12


  • Rua Lord Cockrane, 616 sala 801 - CEP 04213-001 - Bairro Ipiranga - São Paulo/SP Tel. (011) 2914-2441 Fax: (011) 2914-4924